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...mas...é só um abraço

Terça-feira, 30.10.07

Prende-me nesse abraço

no olhar aveludado que derramas

na claridade das manhãs.

Envolve os meus dias de quietude

de gestos e sorrisos

não deixes que eu parta

sem o enlace dos corpos

sem a cumplicidade dos afagos

num silêncio definitivo

OH ! não entendes de abraços

de mãos cheias de todas as coisas...

não sabes que nesse abraço

tens o desejo de uma festa.

Apesar de tudo, é no abraço que finges desconhecer

que te escondes de ti

te esvazias de sensações

e te evades da vida

...mas...é só um abraço!

Foi-me dirigida uma crítica,pertinênte e construtiva, sobre o que escrevo; falta de profundidade,básico,simples.Foi uma troca de conceitos e ideias interessante.No entanto não sei ou ainda não aprendi(quero aprender?) a dar outro rosto às emoções,aos afectos,aos sonhos,à imaginação...ainda conjugo tudo com o coração.Quanto à profundidade e complexidade, na escrita tenho mesmo que deixar para os que escrevem e sabem-no fazer bem.

A conversa bem amigavel,alertou-me para a profundidade com que encaro a vida,tentando reflectir e intervir no que me rodeia de forma positiva e harmoniosa,sentindo-me bem comigo e com os outros.Sobretudo respeitando as ideias divergentes de cada um. O que escrevo é mesmo muito simples.

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publicado por dolce_vita às 01:56

Boas noites

Sexta-feira, 26.10.07

As noites, muito lentamente, estão a levar-nos de volta ao aconchego da manta, ao aninhar dos sonhos...

" O sono é mais perfeito, quando é partilhado com alguém que amamos. o calor, a segurança e a paz de alma, o conforto absoluto do toque do outro une o sono, leva corpo e alma e é completamente curativo."

D.H.Lawrence

...ao pausado descanso , ao encontro da lua que hoje espreita no seu fulgor a minha janela.

Boa noite

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publicado por dolce_vita às 00:09

O menino foi sozinho

Terça-feira, 23.10.07

Uma manhã de Setembro. Os raios de sol, brincavam às escondidas, entre as árvores lá da rua.

Numa das casas dessa rua, já se instalara algum alvoroço. O acontecimento não era para menos. Tudo tinha sido preparado com cuidado, com amor e muita ansiedade.

O menino ia entrar na escola, pela 1ª vez. Uma nova etapa para todos. O corte umbilical, uma mistura de dor e felicidade. Aquele aperto no coração.

Recordo a minha calma aparente, de faz de conta...

E o menino, tão asseado, acho que até se tinha deixado pentear. E os calções...azul escuro, e os ténis cor de laranja a contrastar com a camisola. Muita cor naquela manhã de sol. Só queríamos  uma vida colorida para o menino. 

O pai e a mãe, prontos para levar o seu menino, pela mão.

E o menino?onde está o menino?

Depois da aflição a procura, até debaixo da cama, não fosse o menino ter arrepiado caminho, lembrámo-nos da mochila.

Foi isso mesmo!

Caminhámos a passo largo em direcção à escola, não era longe desta rua...nesse dia, bem mais animada pelo riso das crianças.

Ainda era cedo e na nossa ansiedade de encontrar o menino entramos quase a correr no recreio da escola.

No banco corrido de madeira, estava o nosso menino com a mochila a seu lado e um sorriso.

Cruzámos o olhar, respirámos fundo, acalmámos o coração e...a resposta a pergunta nenhuma foi: " Eu já sabia o caminho da escola, vim pela beirinha e atravessei na passadeira...já sou grande!"

E sentámo-nos ,um de cada lado, como se quiséssemos reter para sempre aquele momento.

O menino começou o seu voo nesse dia, nessa manhã ensolarada, luminosa ...de 1986 com o pai e a mãe por perto...a deixar voar, amparando as quedas.

Há dias, relembrávamos o 1º dia de aulas,. com um grande sorriso.

Vislumbrei o mesmo sorriso daquela manhã.! Olhos de mãe.

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publicado por dolce_vita às 23:18

Quem eu fui

Sábado, 20.10.07

Vejo-me nos caminhos já estreitos do pensamento

onde tudo perde a cor a forma

no crepúsculo pardo no cair da noite

neste abandono dos dias desbotados

resvalo lentamente nos resto de mim

Quem eu fui...

perco-me nas esquinas que dobrei

não vislumbro já as luzes da cidade

inquieta-me esta memória apagada

esta demência de mim

não os vejo

não os tenho

os que abracei e embalei

nesta mãos tolhidas e frias

Quem eu fui...

são os meus passos arrastados o eco longínquo

ah...não era a tua voz...nem o sorriso dos meninos

estes laivos de mim, que me assolam em surdina

sento este corpo seco e curvado

num descanso doloroso

numa espera confusa...de nada

Quem eu fui...

afunila-se o caminho vagueio pela indiferença dos dias e das noites

nesta angústia de já não me saber aqui

recolho-me a esta demência de sombras

e numa réstia de quem fui...sinto o calor de uma lágrima

como um afago, um carinho

neste rosto outrora aveludado, luminoso

Hoje sulcado,ressequido,apagado pelo esquecimento.

OBS:

Este texto,estava guardado como muitos outros.Esta publicação deve-se ao maravilhoso texto postado no blogue "Lua de Sol".Que foca com pertinência,a solidão e o esquecimento a que sujeitamos os nossos idosos.Este é o meu grito de revolta.

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publicado por dolce_vita às 20:07

Quando...

Terça-feira, 16.10.07
   

Quando te desvaneceste, te esfumaste da memória dele?

Quando deste conta que o mar já não beijava a areia?

Quando perdeste a vontade de olhar o céu?

Quando a mesma música perdeu a melodia?

Quando sentiste as mãos sem calor?

Quando te desencontraste no olhar fugidio dele?

Quando...quando...?

Quando pegaste em ti,

e do outro lado do espelho,

te olhaste e te amaste

 

Já não há memória de rostos...perderam-se...ou nunca chegaram a existir

não souberam de cor, cada gesto...cada traço...

 

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publicado por dolce_vita às 23:59

EU versus EU

Sábado, 13.10.07

«Há entre as figuras que compõem o meu ser duas encarniçadas uma contra a outra. Há uma que crê, outra que não crê. Há uma capaz de todas as cobardias, outra capaz de todas as audácias. Há uma pronta para todos os rasgos e outra que observa e comenta. Mas há entre as figuras que compõem o meu ser uma que está calada. É a pior. Olha para mim e basta olhar para mim para que eu estremeça.»

«Tu lutas contra esta figura que dentro de ti te impele; tu queres fugir de ti próprio, queres separar-te de ti mesmo, e não podes. Só consegues, à custa de esforços desesperados, manteres-te dentro da fórmula ou da máscara que escolheste, e arredar o crime e a loucura, e fingir e sorrir.»

Raul Brandão, in  Húmus

«Há sempre um momento de saturação em que a vida nos finta, inesperadamente, e em que a nossa verdadeira natureza irrompe pra rebentar de uma vez com todos os coletes de forças, lembrando-nos de que existe, dentro de nós, um sósia encarcerado, vendado e amordaçado que, mesmo anémico e agonizante, consegue um dia quebrar as grilhetas e escapar da prisão, derrubando-nos com um só soco.»

Rita Ferro, (excerto do livro ÉS MEU )

Quando acabei a leitura do livro, És Meu, passou-me imediatamente pela cabeça, conversar neste espaço sobre o assunto. O ciúme, tão em moda, outrora,  na literatura, hoje menos, mas não por falta de ciúme,este estado, de posse do outro, que é capaz de desencadear tragédias. O ciúme sempre ligado ao amor, na eterna confusão que onde há amor há ciúme, tomando para si o Eu do outro, sofucando a razão e o Ser do outro, aprisionando-o de tal forma, que o amor, lentamente se desvanesse se esvazia e vai dando lugar, a feridas dilaceradas,  a raiva, ou ainda ,e o pior, à indiferença.E sempre em prol de um grande amor.Mas que amor é este que rouba barbaramente o EU do outro.

Desventrando-o.Anulando a sua existencia, como dono e senhor poderoso. O ciúme apresenta-se muitas vezes num disfarce dissimulado de defensor, como se o amor precisasse de defesa.Enquanto o ciúme cria raízes, num silencio a tudo, numa sobrevivencia doída, a tempestade vai tomando forma numa fúria descontrolada, o outro Eu , do Eu ,irrompe das profundezas numa loucura sem barreiras.Falar de ciúme,não é tão linear assim, não é facil ,porque são as emoções que nos "comandam".Mas nada desculpa um ciúme capaz de grandes tragédias, como a perda de alguém, como a perda da própria identidade, como a morte lenta de alguém  que acreditou,um dia, que o amor era confiança,cumplicidade,harmonia e eterno...

( Falei com ligeireza,de ciúme, mas é um assunto realmente para reflexão)

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publicado por dolce_vita às 18:35

Labirinto - A noite com saudades

Sexta-feira, 12.10.07

Há tempo demais que te observo, num definhar mortiço

nesses passos lentos sem vontade, num sorriso sem melodia

e agora essas lágrimas...

essa dor que também sinto

estranho-te tão muda

já não aceitas que te recolha em meus braços, que te afague os cabelos

em silêncios nossos

recatados na longa espera de amanheceres

não te encontro agora no leito onde me recebias

tu a segredar a luz dos dias dos sonhos

dos medos e receios

eu na minha própria escuridão a sussurrar calmaria

Em que labirintos adormeceste as cores que te vestiam

o vermelho do rubi

o verde da esmeralda

o azul da turquesa ...

tenho saudades dessa sinfonia brilhante

que nos deixava enlevadas nos braços uma da outra

das tardias conversas por mim adentro

das tuas insónias que velava

na imensidão do meu manto negro sentia-te serena

até sem ciúme dos dias por onde te arrastas agora

O teu desassossego é meu também

as tuas lágrimas são as minhas dores

Quero-te de volta a este lugar onde os sonhos são a minha luz

e num lamento sufocado

nesse olhar embaciado tiras do peito o grito que na minha escuridão ecoa

e me amedronta:

-Não sei onde me perdi nem tenho a certeza de me querer encontrar.

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publicado por dolce_vita às 21:37

Um chá quente

Sábado, 06.10.07

Já tinha saudades desta intimidade ,entre mim e o chá. As mãos começaram há uns dias a reclamar pela chávena bojuda do meu chá. As noites arrefeceram, alongaram-se e carecem de algo que lhes dê conforto. Chá! O coração também fazia já algumas reclamações...mas eu só lhes estava a dar um pouco mais de férias...há quem não goste de estar muito tempo inactivo... ou quiçá algum secreto receio de se sentir trocado. Não, sou fiel às minhas companhias, às que me fazem bem. E uma chávena de chá é remédio para todas as maleitas,  só comparável ao chocolate.

Mas de volta a esta intimidade, recomeçada , hoje, delicio-me  com este Allen Valley , de "um néctar âmbar dourado com um aroma perfumado e um gosto delicado, suave e subtil" ( informação obtida do livro, Guia do chá ),quando se gosta muito até se procura a proveniência do produto. Este é produzido na região mais alta da ilha de Sri Lanka, a sul, em Galle . De volta ao néctar para não esfriar que a noite  está fresca.

Agora as saudades estão afagadas, as mãos quentes e o coração calmo.

O que um chá quente faz por nós!

Para quem gosta de uma companhia com características bem diversificadas, deve escolher um chá, e há, para todos os gostos.

Vou dando notícias dos meus chás.

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publicado por dolce_vita às 00:22

ONE - U2

Sexta-feira, 05.10.07

 

Apenas e só para quem gosta muito.

Eu gosto.

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publicado por dolce_vita às 01:06

A noite tem a Cidade Ancorada

Quinta-feira, 04.10.07

A noite tem  magia

tem sonhos distantes e sombras escondidas

tem danças secretas

vestidos rasgados

A noite tem rituais de prazer

exuberância nas palavras

ruas e  becos percorridos

empedrados de desejos

lendas e feitiços

A noite tem a cidade ancorada

no cais de embarque

para nela embalar os que sonham

É breve este abraço caprichoso

da noite com a cidade

que estranho afecto...

Já as sombras se penduram nas franjas da brisa da manhã

e regressa a passo lento, a cidade

vinda do cais do aconchego da noite

e tudo volta a ser multidão

na indiferença dos que passam

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publicado por dolce_vita às 01:49


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